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Biocombustíveis prometem impulsionar as culturas de canola e carinata

Biocombustíveis prometem impulsionar as culturas de canola e carinata
Guillermo Dawson Junior, Geomar Corassa, Diego Piotto e Flávio Mingorance durante painel sobre biocombustíveis | Foto: Divulgação Expodireto Cotrijal

Indústrias de matéria-prima renovável incentivam investimentos nas culturas de inverno

Os biocombustíveis estão no centro das atenções dos debates da 26ª Expodireto Cotrijal. Na tarde desta quarta-feira (11), especialistas debateram as possibilidades que surgem para os agricultores a partir dos investimentos no setor.

O painel "Biocombustíveis: A nova fronteira de oportunidades e a inserção estratégica do Agro Gaúcho", coordenado pelo vice-presidente da Cooperativa Central Gaúcha Ltda (CCGL), Guillermo Dawson Junior, foi aberto pelo gerente de pesquisa da CCGL e da Rede Técnica Cooperativa (RTC), Geomar Corassa. Ele tratou sobre o futuro promissor da canola e da carinata - duas culturas de inverno no Rio Grande do Sul.

"É uma vantagem econômica para os produtores, pois não competem com outras culturas alimentares tradicionais e há novos mercados que podem se abrir tanto para produção de alimentos quanto para produção de biocombustíveis", afirmou Corassa.

O especialista explicou que ainda há muitas questões de manejo e pesquisa que precisam ser aprimoradas em relação à canola, o que pode levar a potenciais produtivos ainda maiores.

"Nós tínhamos, em 2011, uma expectativa de colheita de 20 a 25 sacas. Hoje, temos parcelas experimentais superiores a 60 sacas", revelou Corassa.

A canola também pode ser usada na produção de leite como uma estratégia para redução do custo da dieta das vacas, quando comparado com o farelo de soja.

Em relação à carinata, Corassa explicou que essa é uma cultura de ciclo mais longo e com teto produtivo similar ao da canola.

"Há muita dúvida sobre o uso dessa cultura porque não é destinada para fins de alimentação, mas dependendo das concentrações dos percentuais, já existem trabalhos na literatura indicando o uso na dieta animal. Então, a carinata pode entrar como uma estratégia no futuro, inclusive pensando na produção de leite", disse Corassa.


Soli3

O painelista seguinte foi o gerente executivo de engenharia da Soli3, Diego Piotto, que tratou das oportunidades que serão criadas quando a indústria de biocombustíveis entrar em operação, em Cruz Alta/RS, no primeiro semestre de 2028.

A Soli3 - formada pela união das cooperativas Cotrijal, Cotripal e Cotrisal - terá capacidade para o processamento anual de aproximadamente 1 milhão de toneladas de soja. Piotto explicou que há um projeto para operar canola no futuro.

"Essa planta está pensada para os próximos 30 anos, portanto temos essa oportunidade futura de processar canola. Mas, inicialmente, atuaremos apenas com soja", pontuou Piotto.

O terminal da Soli3 irá carregar soja e farelo de soja, com destaque para uma linha férrea que passará dentro da área da indústria.

Na terça-feira (10), o governo do Rio Grande do Sul entregou a Licença Prévia (LP) para a implantação da Soli3. O ato ocorreu na Expodireto Cotrijal e contou com a presença do governador Eduardo Leite.


Biorrefinaria Riograndense

O painel foi encerrado com a palestra de Flávio Mingorance, head de biorrefino na Refinaria Riograndense, primeira refinaria de petróleo do Brasil, operando em Rio Grande/RS desde 1937. Com quase 90 anos de atuação, a unidade será convertida na primeira biorrefinaria 100% renovável do país a partir de um investimento de US$ 1 bilhão.

A refinaria - que tem como sócios Petrobras, Ultra e Braskem - atuará na produção de combustível sustentável de aviação (SAF), diesel renovável (RD), bio-nafta, bio-GL e outros produtos renováveis. Como matéria-prima, serão utilizados óleos vegetais, gordura animal e óleos residuais (UCO).

“O que eu quero destacar aqui é o potencial das culturas de inverno, como o óleo de canola e a carinata. A Biorrefinaria Riograndense está muito bem posicionada e vai trazer uma oportunidade ímpar para o Rio Grande do Sul. Além de desenvolver a refinaria em si, temos toda essa cadeia do agro aqui na região. Estamos falando de um projeto que tem capacidade de 1 milhão de toneladas/ano de matérias-primas", disse Mingorance.

O projeto de transição para a biorrefinaria teve início em 2023 e será concluído em 2027. A transformação completa do negócio está prevista para ocorrer a partir de 2028.

Por Maiquel Rosauro | Assessoria de Imprensa Expodireto Cotrijal


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