Indústrias trazem soluções tecnológicas para alavancar o campo
Sustentabilidade e opções para todos os tamanhos de propriedade chamam a atenção dos visitantes na feira
Aproximar o produtor rural do conhecimento, das informações, da tecnologia testada e validada nos órgãos de pesquisa ou nas empresas privadas, de ótimas oportunidades de negócios e também de importantes debates ligados ao meio rural foi o motivo que levou a Cotrijal a criar a Expodireto, em 2000. De lá para cá, a feira se consolidou como umas das principais vitrines tecnológicas do agronegócio internacional, atraindo, anualmente, agricultores, pecuaristas e outros profissionais do campo de várias partes do Brasil e também de fora do país.
Na área de máquinas e equipamentos, os produtores encontram oportunidade para ver de perto e comparar as novas tecnologias oferecidas pelas indústrias, visando a concretização de negócios direto na feira ou também ao longo do ano.
João Pedro Blank, da Agroriza, de Santa Vitória do Palmar/RS, percorreu 725 quilômetros para estar no parque. O produtor estava de olho em uma semeadora e um pulverizador autopropelido. “Estamos prospectando negócios. Estamos em um momento em que precisamos ter cautela para equilibrar as contas e garantir a sustentabilidade da propriedade, já que os altos custos de produção combinados com preços baixos recebidos pelos produtos têm impactado a rentabilidade”, informou.
A propriedade cultiva cerca de 1,2 mil hectares de arroz e 500 hectares de soja, além de 600 hectares em sistema de integração lavoura-pecuária. “Já adquirimos na feira, em outros anos, implementos menores e componentes eletrônicos, como uma roçadeira e também monitores agrícolas, e agora estamos olhando também sistemas de nivelamento e suavização do solo, que reduzem a dependência da mão-de-obra, um dos outros gargalos no cultivo do arroz”, disse.
Feira é ponte entre indústria e produtor
O presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Equipamentos do Rio Grande do Sul (Simers), Claudio Bier, avalia que o setor vive um momento desafiador, mas a expectativa é de reação ao longo de 2026. “Como temos destacado na Expodireto, não se trata de um cenário de retração permanente, mas de uma retomada gradual condicionada à melhoria do crédito e à renegociação das dívidas dos produtores”, afirma.
Segundo ele, a indústria sente os efeitos de estiagens sucessivas, do endividamento no campo e do custo do financiamento, mas existe demanda reprimida por renovação de máquinas, o que sustenta a perspectiva de recuperação do mercado. “A feira cria um ambiente concreto para negócios, lançamento de tecnologias e discussão de soluções para aumentar a produtividade no campo. Em um momento de dificuldades climáticas e financeiras, esse diálogo é ainda mais importante, porque a indústria depende do produtor e o produtor depende da inovação e das tecnologias desenvolvidas pela indústria para continuar competitivo”, conclui.
Uma das alternativas que os produtores têm encontrado para facilitar a renovação da frota de máquinas agrícolas é o consórcio. Nas modalidades regional ou nacional, é uma possibilidade para quem quer planejar a compra futura e fugir dos juros do financiamento tradicional. Antônio Ruffato, coordenador de vendas do Consórcio Nacional da John Deere, explica que é uma opção especialmente para quem não tem urgência na aquisição do maquinário.
As peças remanufaturadas, como motores e transmissões, também têm sido buscadas pelos produtores rurais. Por serem de fábrica, possuem todas as garantias de uma peça nova. O técnico de motor na AGCO Power Brasil, Leônidas Miler, explica que é uma forma de atender a necessidade imediata do produtor, que consegue atualizar ou manter o maquinário com qualidade semelhante à de componentes novos, porém com custo menor.
Lançamentos visando o futuro
Além de sensores para todos os fins, buscando garantir maior eficiência no campo, e outras tecnologias que podem trazer retorno imediato ao produtor, a feira é palco de lançamentos que visam o futuro.
De olho na transição energética, a fabricante alemã Fendt apresenta de forma inédita na feira o motor AGCO Power CORE 80, homologado para operar com o diesel HVO100 (Óleo Vegetal Hidrohidratado), conhecido como “diesel verde”, originado de óleos vegetais e gordura animal, reduzindo significativamente as emissões de gás carbônico.
João Toledo, coordenador de marketing de produto da Fendt, explica que o uso de HVO cresceu significativamente na Europa como uma solução imediata para descarbonizar o transporte, sem a necessidade de modificar motores diesel existentes. No Brasil, a expectativa é de que avanços no uso de combustível renovável aconteçam gradualmente.
Irrigação é estratégica
As frequentes perdas dos produtores rurais gaúchos devido ao clima têm motivado o crescimento da busca por irrigação. Levantamento da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul, na safra 2023/2024, mostram que 3,2% da área de soja (214 mil hectares) e 15% da área de milho (12,8 mil hectares) eram irrigadas no Estado.
Dentre as principais dificuldades para um avanço maior estão a demora na obtenção do licenciamento ambiental e das autorizações necessárias para implantar o projeto, as limitações energéticas e de água em algumas regiões e o alto custo do investimento.
Na Expodireto Cotrijal, empresas expositoras atendem produtores que já têm área irrigada e também os que pensam em investir e estão em busca de informações sobre os processos necessários para implantar o projeto.
A Agropecuária Garça, de Panambi/RS, tem cinco pivôs instalados em área onde são cultivados milho safra e soja safrinha – 250 hectares do total de 700 hectares da propriedade. Michel Idi da Rosa, um dos proprietários, conta que a implantação iniciou há três anos e ocorreu em duas etapas. A ideia é ampliar a área futuramente.
“Para nós, as maiores dificuldades são a demora para liberação das licenças ambientais, disponibilidade de água e de energia elétrica. A parte burocrática para instalar esses pivôs demandou quase cinco anos, mas o investimento compensa, pois conseguimos plantar milho safra e soja safrinha e obter boa produtividade”, explica o produtor, que esteve no estande da empresa Lindsay na feira.
De “encher” os olhos
A grandeza dos maquinários e a tecnologia embarcada neles despertam o fascínio das crianças e dos jovens que visitam a feira. Poder entrar na cabine de um trator, uma colheitadeira ou um pulverizador é o desejo da maioria. Escolas técnicas e universidades de todo o Rio Grande do Sul aproveitam o período da feira para trazer os estudantes até o parque.
“É importante essa vivência, ver de perto as novas tecnologias nos equipamentos e também na área de produção vegetal. Viemos todos os anos”, informou o vice-diretor da Escola Estadual Técnica de Viadutos/RS, Luís Bragagnolo, que estava acompanhando cerca de 40 alunos do terceiro ano do curso técnico em Agricultura.
Por Mariliane Cassel | Assessoria de Imprensa Expodireto Cotrijal
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